Especialistas em moda e marketing apostam em runners técnicos, influência do futebol retrô, collabs narrativas e consumo mais sofisticado da Geração Z
O streetwear entra em 2026 consolidado como uma das principais forças da moda global, impulsionado pela fusão definitiva entre luxo, cultura urbana e comportamento digital. Tendências como sneakers de performance, silhuetas inspiradas no futebol retrô, materiais sustentáveis e colaborações cada vez mais narrativas devem guiar o próximo ciclo do setor, que segue em crescimento mesmo em um cenário econômico mais seletivo.
Segundo estimativas globais, o mercado de resale de sneakers de luxo já movimenta bilhões de dólares, enquanto, no Brasil, o segmento de streetwear voltado à Geração Z gira em torno de US$ 5 bilhões, impulsionado por redes sociais, e-commerce e pela busca por identidade cultural. Nesse contexto, a Kings Sneakers, maior rede de streetwear do Brasil, observa uma mudança clara no comportamento do consumidor: menos volume e mais valor.
“Para 2026, a gente enxerga um consumidor muito mais atento à construção do produto. Não é só estética: é conforto, performance, narrativa e propósito. Os performance runners, por exemplo, deixaram de ser apenas funcionais e viraram objetos de desejo, puxados por marcas que cresceram muito no resale e hoje disputam protagonismo cultural”, afirma Rodrigo Zero, diretor criativo da Kings Sneakers.
Entre as principais apostas estão os runners técnicos com solas trabalhadas e cabedais em mesh respirável, além do fortalecimento das silhuetas terrace e indoor retrô, inspiradas no futsal e no futebol europeu. Modelos com visual mais “flat”, porém com volumes bem resolvidos e conforto elevado, também ganham espaço, refletindo a influência do luxo contemporâneo sobre o streetwear.
“O futebol continua sendo uma das maiores linguagens globais de estilo. Ele atravessa música, moda e comportamento, e isso se reflete diretamente nos sneakers. Ao mesmo tempo, vemos uma evolução do chunky: ele não some, mas fica mais refinado, mais usável”, explica Zero.
A sustentabilidade também deixa de ser tendência para se tornar premissa. Materiais reciclados, misturas de poliéster de garrafa PET com algodão reaproveitado e bases técnicas de secagem rápida começam a migrar com mais força para o footwear, acompanhando a demanda da Geração Z por marcas mais responsáveis e transparentes.
Para Cauê Sanchez, head de marketing da Kings Sneakers, o streetwear hoje é uma plataforma de identidade. “O jovem brasileiro quer pertencimento global, mas com leitura local. Ele vê o mesmo drop que está em Londres ou Tóquio, mas espera que a marca fale a língua dele, do corre, da rua, da cultura real”, afirma.
Esse comportamento também impulsiona o avanço das collabs, que em 2026 devem ganhar ainda mais sofisticação. “Collab não é mais estampar logo. É construir universo, criar coleção-cápsula com storytelling, ativar comunidade e gerar desejo que vai além do lançamento. As collabs mais bem-sucedidas são aquelas que viram memória e peça de coleção”, destaca Sanchez.
O mercado de resale, inclusive, funciona como um termômetro direto dessas decisões. Exclusividade, escassez controlada e narrativa consistente seguem como fatores-chave para a valorização dos sneakers ao longo do tempo. “Hoje, o jovem olha para o tênis quase como um ativo cultural. A loja vira um espaço de curadoria, onde ele sabe que pode encontrar algo que faça história”, completa.
Com a consolidação do movimento de premiumização, a expectativa é de que, em 2026, o consumidor continue comprando menos, porém melhor. “O jovem aceita pagar mais desde que o produto entregue identidade, presença visual e uma história forte por trás. Esse é o jogo do streetwear hoje”, conclui Rodrigo Zero.
“Para o primeiro trimestre de 2026, a Kings aposta em collabs conectadas a lançamentos de filmes e cultura pop, além de um mix de produtos cada vez mais assertivo, alinhado ao comportamento da Geração Z e às principais tendências globais do streetwear”, finaliza Sanchez.
Sobre a Kings Sneakers
Fundada em 2006, a Kings Sneakers é a maior rede de streetwear do Brasil, com mais de 180 lojas em operação e presença em todas as regiões do país. A marca une moda urbana, atitude periférica e curadoria de grandes marcas como Nike, Adidas, Vans, Jordan, Puma e coleções próprias, representando a força da periferia, da cultura hip hop e do lifestyle das ruas brasileiras. Com uma operação omnichannel em constante evolução, a empresa investe em tecnologia e experiência do cliente. A Kings Sneakers não é apenas uma marca de streetwear, ela é uma plataforma de expressão, atitude e transformação social.
Rafael Cicconi





